Faz umas semanas que uma amiga que se separou recentemente me disse:"Não sei, mas ele é o amor da minha vida!"; e isto levou-me mais uma vez à minha própria situação (Afe, again!) e como todas as vezes que penso neste assunto, disse a mim mesma: "Amor da minha vida!? Sim, já foi um dia, mas deixou de ser durante tanto tempo que a única coisa "perfeita" que tínhamos juntos era a amizade, o companheirismo e a paixão por coisas especificas como cinema, música e arte!", eramos isto, eramos o amor que tínhamos em comum pela arte, nada mais!
Confesso que durante muito tempo o meu luto dele foi difícil. Foi incompreensível. Por todas as coisas que fiz, por todo o tempo que dediquei a ser "a" pessoa de outra pessoa. Mas hoje tenho de confessar que tenho saudade daquilo que nos fazia ser um só. A arte. A música principalmente.
Eramos perfeitos quando nos uníamos para apreciar boa música. Para dançar ao som das músicas mais loucas. Quando tentávamos ser bailarinos, mesmo confirmando que não tínhamos jeito para movimentos de dança, dançávamos mesmo assim e no meio da rua. Era sim nestes momentos que nos entendiamos e nos encontrávamos.
Lembro-me que o melhor concerto da minha vida, até à data, foi com ele.
E meu, como curtimos tanto aquele concerto! Cantamos, dançamos, choramos, rimos e repetimos aquele dia em conversas vezes e vezes sem conta durante anos!
De tantas outras coisas que sempre fizemos a música era sem dúvida aquela que mais tempo dispendíamos em conversas e até em silêncios. Porque ele sabia como a música me transportava para um mundo mais distinto e longínquo. Ele sabia compreender que mesmo as músicas pirosas que adorávamos cantar no carro faziam-me rir às gargalhadas, porque ele respeitava o meu tempo de curtir uma coisa pirosa, só porque precisava de rir!
Da mesma forma que nos ensinamos que a música clássica é algo tão inexplicável que nem precisávamos falar ou comentar porque depois de um "Hey, tens de ouvir isto. Ouve só!" vinha sempre um silêncio com 3 a 4 minutos de sorrisos no rosto.
E confesso, disto eu tenho saudades.
Por vezes dou por mim ainda a pensar: "Meu tenho de lhe ligar ou mandar uma mensagem a dizer para ele ouvir esta música!"; ridícula eu sei, mas ele faz-me sim falta nestes momentos particulares.
Porque mesmo na distância ouvíamos a mesma música, ao mesmo tempo!
E por mais ridículo que pareça, ir a concertos ao vivo não é a mesma coisa.
Porque sim continua a ser ridículo eu estar num concerto e ainda olhar para o meu lado direito à procura da expressão dele quando toca aquele solo de guitarra. Quando canto desafinada como uma louca a minha música preferida. Quando toca a música que ele me cantou desafinado um milhão de vezes ou quando queria apenas alguém para compreender o efeito que a música tem em mim sem fazer muitas perguntas. Faz-me falta alguém que compreenda a minha vibe e a minha maneira estranha de viver a arte.
E nisto? Confesso que era perfeito. Eramos a comunhão de um entendimento perfeito de paixões.

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