"Se tivesses a oportunidade de fazer aquilo que mais te dá prazer, escolherias fazê-lo por tua conta e risco ou irias estudar essa coisa?"
Há uns dias um amigo fez-me esta pergunta, ao qual respondi que sim, que iria atrás de um sonho ou de um risco por minha conta e risco se fosse algo certo ou quase certo!
Mas, depois de toda a conversa, mais uma vez recuei no tempo e confirmei que com a idade não deixamos de correr riscos, apenas ponderamos mais, pensamos mais, pesamos mais as consequências... porque a sociedade e toda uma conjuntura nos obriga a pensar sempre duas vezes antes de fazer o que quer que seja, porque "tudo tem um risco Mariana!", "Pensa nas consequências dos teus atos, porque depois tens de arcar com eles!"; e o quanto já ouvi isto!
Até ao ponto onde me encontro ainda não tive de tomar muitas decisões. No entanto, a maioria das que já fiz foram todas (essencialmente todas) tomadas de forma impulsiva e sem pensar nas consequências. Algumas não funcionaram e outras obviamente haveriam de funcionar, como qualquer lógica de funcionamento do planeta!
Mas remeto-me sempre para algo que ainda não consegui definir... se sou eu que sou infantil demais, se tenho algum tipo de perturbação mental (provavelmente esta seria a resposta!) ou se simplesmente tenho desejo de viver a vida sem me importar minimamente com aquilo que pode surgir no futuro!
E isto remete-me para uma conversa que tive, também esta semana, com outro amigo no qual este me disse: "Não quero fazer isso porque no futuro não vai dar certo!" ao qual lhe respondi: "Mas tu não sabes como será o futuro! Ninguém prevê o futuro! Porque sabes? O futuro é já!" ao qual ele me respondeu: "Sei sim.. sei o MEU futuro e sei que não dá certo. Por isso nem quero tentar!".
E aqui sim, aqui vemos como as pessoas têm medo dos riscos. Que pesam demasiado as consequências, os "se's" e os "mas". Esquecendo-se que mais tarde estas expressões serão trocadas por expressões mais pesadas como "porque não fiz isto ou aquilo", "podia ter arriscado", "não devia ter deixado isto, aquilo ou aquela pessoa escapar"; ou então sou só eu que penso assim e o resto das pessoas não vive em arrependimentos (adianto já que isto pralém de não existir, é algo que não acredito!).
Digamos que, mais uma vez (e estou a tornar-me repetitiva), pensar demasiado nas coisas será sempre algo errado, ponto!
Mas voltemos àquela definição de mim mesma que ainda não descobri; não sei ao certo se foi com a idade ou se foi alguma da pancada que já apanhei da vida e das pessoas, mas cada vez me preocupam menos as consequências das coisas, daquilo que faço, daquilo que digo, das coisas que não faço e até daquelas que não digo! Porque afinal, porque não podemos fazer aquilo que nos apetece quando nos apetece? O que nos impede? Quem nos impede? Existem consequências? Claro, obvio! Sempre irão existir! Mas porque não pensamos nas consequências quando elas (realmente) chegam? Porque temos de pensar 3 dias antes se só daqui a 3 dias é que as coisas irão aparecer ou sequer (possivelmente) acontecer?
Porque não podemos simplesmente decidir fazer as coisas da forma como queremos? Se não der certo voltamos atrás e voltamos a fazer tudo de novo, e daí? Porque não pode ser assim?
Gosto de pensar desta forma... aquilo que me apetece fazer com a minha vida, o meu corpo e com aquilo que me rodeia, serei EU que terei de sofrer as consequências e lidar com elas na MINHA consciência! Porque fui eu quem decidiu, apenas eu, logo se as consequências serão minhas serei eu quem terá de sentir algum tipo de preocupação com, e se não sinto, penso que estou bem resolvida na vida!
E porque não podem as pessoas ser todas assim? Não seria a vida um pouco mais leve se todos pensássemos assim? Quando nos libertamos de todas as consequências, todos os pensamentos, todos os porquês e todos aqueles "não vou fazer porque não é certo" a vida acaba por ficar mais simples e menos séria!
Deveríamos pensar que aquilo que mais nos irá dar prazer serão as coisas feitas no momento em que sentimos vontade de as fazer e sim, fazê-las no risco, da forma que nos sentimos confortáveis e com quem nos sentimos confortáveis.
E se não der certo, fazemos na mesma!
Se der medo, vamos com medo mesmo!
Se iremos perder coisas pelo caminho? Provavelmente!
Se iremos sentir demais? Sim, sempre sentimos!
Se iremos magoar alguém? Sem dúvida!
Se nos iremos magoar? Tão garantidamente quanto a morte!
Mas se pensarmos em tudo isto por breves segundos antes de fazermos o que quer que seja, posso garantir que nada na vida será concretizado, realizado ou sequer atingido. Porque todas estas questões são nada mais que medos, que fazem questão de nos por a cabeça ás voltas e de nos bloquear as ações, os movimentos e o prazer que iremos sentir nas coisas.
Por tudo isto, serei sempre apologista de sermos servos da nossa vontade, mesmo que seja momentânea, instintiva, impulsiva, impensada, cacete! E simplesmente nos rendermos aos pequenos prazeres que nos trazem as pessoas, os sentimentos, os momentos.
E se tudo der errado, qual o problema? Sofrer faz parte do ser humano, e daí se irá doer? Não é preciso doer para saber como se cura?
A única coisa que poderá bloquear aquilo que desejamos será sempre nós mesmos. Só nós nos autobloqueamos (tão estranho isto, que nem é uma palavra definida no dicionário, extraordinário não!?) de realizar aquilo que verdadeiramente queremos, porque nada, nada é impossível até concretizarmos que realmente é ou não possivel!
E acho que hoje se tivesse que "aconselhar" alguém sobre isto diria: "Vai atrás daquilo que realmente queres. Mesmo que dentro de ti o medo seja maior que a vontade de realizares um grande sonho ou fazer algo simples, estúpido ou idiota, faz! Apenas faz!
Porque se tens vontade de o fazer é porque à partida já sabes que será algo que te irá trazer prazer! E mesmo que a tua consciência te grite que é errado ou que te vais magoar, faz na mesma!
Apenas faz, porque por pelo menos 2 segundos foste feliz! E sempre será melhor perderes 2 segundos feliz e completo contigo mesmo que passar 2 minutos a te sentires uma porcaria porque não tentaste! Não te sentirás pior se não tentares? Não será pior ficares a pensar em como seria?Eu tenho a certeza que sim!
Até porque as nuvens são bonitas e podes lá ir sonhar, mas terás sempre de descer. E quando o fizeres a consciência irá gritar o "poderias ter feito e não fizeste, agora já é tarde!" e isto? Isto sim é errado! Se tens vontade de fazer, faz! Se tens vontade de dizer aquela coisa que tens presa em ti à tanto tempo e não tens coragem de dizer, diz! Se tens vontade de abraçar, Abraça! Se tens vontade de beijar, Beija! Se tens vontade de ser rebelde, certinho ou sequer de ser ninguém, Sê apenas! Faz aquilo que sentes vontade e acima de tudo faz aquilo que trará prazer a TI!"
Se tudo isto é certo ou errado, eu não sei, e muito honestamente não me importa e não deveria importar ao resto dos comuns mortais, porque afinal o que levamos do mundo? Eu respondo! Tempo.. Levamos tempo! Mas aquele que irá ser recordado, será o que foi gasto com prazer! O outro tempo que dispendemos com porcaria, nem será lembrado! E isto é a realidade e isto sim é o certo de ser pensado!






