segunda-feira, 21 de novembro de 2016

#Confesso - O que nos unia..

Faz umas semanas que uma amiga que se separou recentemente me disse:"Não sei, mas ele é o amor da minha vida!"; e isto levou-me mais uma vez à minha própria situação (Afe, again!) e como todas as vezes que penso neste assunto, disse a mim mesma: "Amor da minha vida!? Sim, já foi um dia, mas deixou de ser durante tanto tempo que a única coisa "perfeita" que tínhamos juntos era a amizade, o companheirismo e a paixão por coisas especificas como cinema, música e arte!", eramos isto, eramos o amor que tínhamos em comum pela arte, nada mais!

Confesso que durante muito tempo o meu luto dele foi difícil. Foi incompreensível. Por todas as coisas que fiz, por todo o tempo que dediquei a ser "a" pessoa de outra pessoa. Mas hoje tenho de confessar que tenho saudade daquilo que nos fazia ser um só. A arte. A música principalmente. 

Eramos perfeitos quando nos uníamos para apreciar boa música. Para dançar ao som das músicas mais loucas. Quando tentávamos ser bailarinos, mesmo confirmando que não tínhamos jeito para movimentos de dança, dançávamos mesmo assim e no meio da rua. Era sim nestes momentos que nos entendiamos e nos encontrávamos. 

Lembro-me que o melhor concerto da minha vida, até à data, foi com ele. 
E meu, como curtimos tanto aquele concerto! Cantamos, dançamos, choramos, rimos e repetimos aquele dia em conversas vezes e vezes sem conta durante anos!

De tantas outras coisas que sempre fizemos a música era sem dúvida aquela que mais tempo dispendíamos em conversas e até em silêncios. Porque ele sabia como a música me transportava para um mundo mais distinto e longínquo. Ele sabia compreender que mesmo as músicas pirosas que adorávamos cantar no carro faziam-me rir às gargalhadas, porque ele respeitava o meu tempo de curtir uma coisa pirosa, só porque precisava de rir!

Da mesma forma que nos ensinamos que a música clássica é algo tão inexplicável que nem precisávamos falar ou comentar porque depois de um "Hey, tens de ouvir isto. Ouve só!" vinha sempre um silêncio com 3 a 4 minutos de sorrisos no rosto. 

E confesso, disto eu tenho saudades. 
Por vezes dou por mim ainda a pensar: "Meu tenho de lhe ligar ou mandar uma mensagem a dizer para ele ouvir esta música!"; ridícula eu sei, mas ele faz-me sim falta nestes momentos particulares. 

Porque mesmo na distância ouvíamos a mesma música, ao mesmo tempo!

E por mais ridículo que pareça, ir a concertos ao vivo não é a mesma coisa. 
Porque sim continua a ser ridículo eu estar num concerto e ainda olhar para o meu lado direito à procura da expressão dele quando toca aquele solo de guitarra. Quando canto desafinada como uma louca a minha música preferida. Quando toca a música que ele me cantou desafinado um milhão de vezes ou quando queria apenas alguém para compreender o efeito que a música tem em mim sem fazer muitas perguntas. Faz-me falta alguém que compreenda a minha vibe e a minha maneira estranha de viver a arte. 

E nisto? Confesso que era perfeito. Eramos a comunhão de um entendimento perfeito de paixões. 

#CurtaeDireta - Factos!

"Quando encontrares alguém que compreenda as tuas necessidades só pelos teus silêncios saberás que encontras-te a pessoa certa..."

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Hoje - Dejá vu?!


04/11/2016

Hoje lembrei-me que realmente sempre fui meio(?) sonhadora!

Hoje a casa estava vazia. Fiz qualquer coisa para jantar (um hipotético jantar), um copo de vinho, uma série engraçada na televisão que costumava a ver nos meus tempos de universidade e deixei-me estar um pouco no sofá. 
Quando saí para ir buscar o segundo copo de vinho apaguei as luzes de casa e sentei-me no mesmo jardim que há uns atrás me lembro de ter sido sonhadora.

Há uns anos atrás quando a minha casa era apenas uma quinta, sentei-me no jardim sozinha no escuro, numa noite de Primavera e olhei para céu. Lembro-me que estava limpo. Sem nuvens ou estrelas. E assim fiquei, pequena e inconsciente a olhar para o céu a desejar que o mundo fosse perfeito, a contar todos os meus desejos e todas coisas perfeitas que só a cabeça de uma criança tem capacidade de alcançar. E no meio daquele nada, apareceu uma estrela (sim, sim parece fantasia da minha cabeça, mas foi mesmo assim que aconteceu!)... e lembro-me tão perfeitamente de desejar àquela estrela coisas boas, coisas perfeitas, coisas de criança. 

E hoje... hoje já sem todos aqueles sonhos e todos aqueles pensamentos perfeitos, no meio do caminho de volta para o sofá pensei: "vou sentar-me no escuro e olhar para o céu. Que estupidez, mas fico aqui só um minuto!", e ali fiquei aquele minuto com o meu copo de vinho agora cheio, com o céu cheio de nuvens, daquelas feias e com o céu a chover. 
Acendi um cigarro, liguei no meu telemóvel aquelas músicas românticas de merda que só uso para me ajudar a escrever e fiquei a olhar o céu durante aquele minuto. 

E sim, nesse preciso minuto onde no céu não se via qualquer vida, um bocadinho de céu abriu-se e vi 3 estrelas, uma grande e duas mais pequenas (não, não foi fantasia da minha cabeça mais uma vez!) quase impercetíveis a quem tem uma vista fraca como a minha, e pensei: "caramba esta coisa está a repetir-se!?"

E consegui perceber que realmente a vida tem sempre destas coisas idiotas guardadas para cada pessoa.. e talvez sim eu mereça sim as estrelas nos momentos nos quais mais me sinto sonhadora, pois é ele que me faz sonhar. O céu. Todo esse infinito que parece sim tão banal na correria do dia, porque não percebemos o quanto importante são os pequenos momentos que passamos na nossa própria companhia. 
E isto acontece-me com frequência, porque cada vez que me sento com o propósito de estar a olhar para o nada ou para as estrelas vá, elas sempre me "dizem" algo. 

E sim, o céu estava todo coberto, mas incrivelmente um bocadinho de céu abriu-se para me mostrar que ainda existem estrelas, ainda existe esperança nos sonhos e quem sabe num mundo perfeito. 

Não, não acredito no mundo perfeito, não como naquela noite no mesmo jardim; mas acredito que tudo aquilo que desejamos pode realmente acontecer, porque não é assim tão fantasioso ou tão impossível desejarmos e termos algo que queremos muito! 

Acho que a vida sempre nos dá mais uma e outra oportunidade de acreditar que as pequenas coisas são possíveis. 

E para ser sincera sempre acreditei nas pequenas coisas, tanto que ainda me sento a ver as estrelas e continuo sim a acreditar que o céu guarda o meus segredos e todos os desejos mais profundos, mesmo aqueles que tinha naquela noite onde eu não percebia sequer o que estava a fazer enquanto olhava o céu.

Talvez não seja tarde para acreditar e para realizar as pequenas coisas. Mesmo que seja sozinha da forma que tudo começou e talvez assim seja sim muito mais confortável.