"Não vou dizer aquela frase que me vem automaticamente à cabeça, porque não faz sentido.
Porque não me deste oportunidade de te conhecer. Não me deixas-te "entrar". Não deixaste mostrar-te que há mais coisas na vida pralém dos medos e dos receios que mesmo quando soubeste que eu também os tinhas não fizeste nada para tentar abatê-los!
Não vou dizer que pensei que eras diferente, porque não sei como serias ou como és de outra forma sem ser aquela que me mostras-te. Hoje não o farei.
O que farei (na verdade faria) hoje será dizer-te aquilo que já nem valia a pena ser dito. Mas por ser catártico torna-se para mim mais fácil fechar o teu capitulo!
Que sim. Sim tive esperança por um segundo que serias a minha hipótese. Que serias a minha probabilidade de esquecer. De esquecer um bocadinho deste pequeno mundo que me sufoca. Porque em ti vi aquilo que chamam uma "alma livre", que na verdade és, e admiro isso em ti.
Vi em ti leveza, despreocupação, descontração, sorrisos não daqueles que surgem nos lábios mas nos olhos. Senti que no teu abraço, no teu toque, nos teus olhos e sim até no teu beijo, poderia esquecer que o mundo podia deixar de existir por um breve período de tempo.
E não. Nunca tive esperança, nunca sonhei ou sequer idealizei "algo mais". Não era esse o objetivo. Só porque apareceste numa altura em que talvez eu precisava de um motivo para fugir do mundo e de mim mesma.
E sim. No único momento em que te senti mais perto de mim. Mais perto da minha própria fuga. Foi quando tu fugiste. Talvez por medo de sentires mais? Talvez por teres medo de eu sentir mais? Talvez por medo de eu me importar demais? Não sei... nunca me respondeste a estas questões com palavras. Pena que só os teus olhos o fizeram! Porque até teria sido mais fácil se o tivesse feito com palavras.
Se te considero cobarde? Talvez! Se acho que desististe antes de tentar? Absolutamente. Se isto é esperança de algo mais? Garanto-te que não!
Apenas sei, e não me admito a mim mesma pelo menos, desistir de algo antes mesmo de tentar. Especialmente quando existem "obstáculos"? Podemos chamar obstáculos à opinião dos outros? ou será que o único obstáculo foste tu mesmo?
Se tive pressa? Talvez! Se fiz errado? Porvavelmente. Mas fiz consoante a minha necessidade de fuga.
Porque naquele dia em que te deitas-te comigo no chão, no meio da estrada e me abraçaste... eu consegui sim fugir de mim mesma. Fugi para um lugar confortável e longe do meu próprio mundo... para longe da minha realidade sufocante de olhares, obrigações e acusações.
Deste-me esse presente por breves segundos. Segundos em que te tive só para mim. Só para deixar que me segurasses, mesmo que não tivesses consciência que o estavas a fazer. Porque foi no teu abraço que consegui, depois de muito tempo, deixar a minha mente voar e ficar vazia (completamente vazia, ao ponto de me perguntares no que estava a pensar e te responder: "Nada!"). Sem problemas. Sem medos e sem todos os "porquês" que me atormentam todos os dias.
Não quiseste ser responsável pela minha dor? Dor? Não quiseste ser responsável por um coração partido? Sempre fiz questão de te dizer que não se parte um coração que já está partido. Mas escolheste fugir mesmo assim!
E agora sim. Talvez tenha sido melhor assim. Perdeste o peso da responsabilidade (ahahahahah ya!). Perdeste o peso de teres de ser algo que não querias ser. Eu pedi-te alguma coisa? Acho que te repeti isto vezes sem conta. Esclareceste a dúvida de teres tentado e não ter funcionado?! Mas.. se nem tentas-te! Como poderás saber de algo que nem aconteceu?
Hoje sei aquilo que não te quero dizer mais. E sim desejava dizer-to na verdade. Porque se o fizesse seria mais fácil. Mas sei que quero fazer como tu... não quero sequer tentar! Porque sei que tentei. Tentei mostrar-te que eu sim conseguia ser leve, descontraída e despreocupada. Algo que tu parecias ser, mas não conseguiste concretizar.
E a tua aparência apesar de ser ilusória é e será sempre atrativa, apelativa e deliciosa por isto. Pela tua leveza. Pela tua simplicidade. Pelo teu sorriso natural.
Obrigada pelos segundos de fuga de mim mesma. Pena que não os tenhas perpetuado, como eu tanto precisava."
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Ouve: https://www.youtube.com/watch?v=i257ygpG4gA
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