quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Cartas#3 - Do excesso à anulação!

"O dia em que deixei de tentar que fosse perfeito. Foi quando tudo se tornou perfeito!

Não me lembro propriamente do dia, mas lembro-me do momento em que do outro lado do atlântico me sentei sozinha e percebi que só eu tinha parado de ser eu, para ser outra personalidade... alguém perfeito que pudesses idolatrar, admirar, valorizar e sentires orgulho de chamar "tua"! 

No fundo sempre soube que era errado, mas que mais poderia eu fazer? Sempre fui assim... sempre precisei de receber um  pequeno gesto de valorização pelas "grandes" coisas que fazia. 
Bom, talvez não fossem assim tão grandes (e provavelmente não foram!), porque a única coisa que tentava fazer era "adaptar-me" àquilo que ia recebendo de ti... acabando por ser como é sempre com qualquer pessoa, fazer demais e "mendigar" aquilo que não se pode pedir à força a quem quer que seja! 

E naquele momento em que tudo estava bem, na verdade, foi quando percebi nitidamente, que estava vazia. Vazia de sentimentos, vazia de vontade, vazia de interesse e vazia de preocupação contigo e comigo! 

E isto foi sem dúvida o mais triste. Quando deixei de me preocupar com aquilo que esperavas de mim, com aquilo que querias fazer em comum comigo, com aquilo que sentias e até com aquilo que me davas. 
Porque ironicamente foi neste momento que conseguiste dar-me tudo de ti... quando deixei de me importar. De me preocupar. 

E claro, questionei-me:"Realmente quem não se importa é isto que recebe? Atenção? Valorização?"

E ali ficou claro que quanto mais eu me desligasse seria mais fácil para ti e para mim dar certo. 
Sendo que foi precisamente quando tudo começou a dar errado. Porque foi quando percebi que tinha de começar a viver em função de mim mesma e não esperar que alguém o fizesse por mim ou que me desse sempre valor. 
Porque afinal como poderias dar-me valor se nem eu mesma me dava esse valor que eu tanto procurava?

No meio dos factos não te culpei. E hoje? Continuo a não culpar-te! Jamais o faria! Tal como fiz durante anos. 
Desculpei-te porque na verdade a culpa continuava a ser minha! Por me importar demasiado e por não dar espaço a mim mesma para crescer longe de ti (não que agora esteja a dar resultado na mesma!).
 Mas agora por me importar menos, muito menos, sei que tu sempre estiveste bem sem mim e que melhor estou sem me importar contigo 24 horas por dias, 7 dias por semana. Porque é neste meio termo ou certeza que sei que te respeito mais que nunca!

E decidi que agradar-me seria algo prioritário, mesmo que isso implicasse magoar-te, mas... prioritário! Porque deixei de pôr outra pessoa em primeiro lugar para dar tempo de eu chegar ao topo da escada sozinha e dar a mim mesma uma palmada nas costas e dizer:"Boa! Chegaste lá!". E isto foi o mais revelador... saber que poderia chegar sozinha que chegaria bem e melhor de tudo, que chegaria viva... porque ninguém morre de Amor! 

Até mesmo as pessoas que se importam demasiado com os outros também conseguem  ir do excesso à anulação! 

E talvez até seja mais fácil assim... ir de ponta a ponta para despertar as necessidades mais absurdas!"


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