quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ComoEuVejo - O último dia

“Imagina que hoje é o teu último dia de vida…”

Como se faz para viver este dia? Que pensamentos devemos ter? Que atitudes deveremos ter? Que sentimentos devemos deixar entrar dentro da nossa alma? Será que sentimos medo? E se sim porque o sentimos?

Não sei ao certo se com o tempo os nossos medos aumentam ou diminuem. Na verdade, uns aumentam e outros claramente diminuem.

Aumenta o medo de perder as pessoas, o medo de ficar sozinho, o medo de não ser amado, valorizado. E aumenta o medo da dor. Não da física, mas a dor consciente daquilo que não podemos tocar ou curar com remédios.

Diminui o medo de dizer o que pensamos! Este é o meu preferido, devo confessar!! Este desaparece com o tempo, com a idade, com a experiência, com a consciência de aquilo que não é dito pode ficar para sempre perdido, no tempo ou num espaço onde voltar atrás poderá ser tarde demais. Sei que disto, nunca tive muita dificuldade, mas com o tempo fui percebendo que cada vez mais sei conscientemente que dizer aquilo que sinto acerca das pessoas, me faz bem e por vezes mal, sim, quando o retorno é negativo ou inexistente.

Porque agora, considero que todas as pessoas têm de ser tão expressivas e específicas como eu, porque afinal o que custa? O que custa dizer àquela pessoa: “Olha gosto de ti porque me fazes rir!”, “Gosto de te ver assim.. o sorriso fica-te bem!” ou simplesmente “gosto de ti porque me fazes bem!”.

Sempre que penso em medos remeto-me sempre, SEMPRE para perdas. Não tenho medo da solidão, lido bem com isso, porque só a minha mente ruidosa já me chega de conversa e companhia.

Mas as perdas… as perdas atormentam provavelmente a todas as pessoas do mundo.

Porque solidão, mais que saber e confirmarmos que estamos sós, é ter a certeza que nos faltam coisas simples… faltam os olhares, os sorrisos, o toque… o toque! É isto que se perde e é isto que fica para confirmar que a solidão das pessoas é falta de toque, falta de pessoas para dar a mão, falta de pessoas para nos levantar das quedas que damos, falta de pessoas para nos segurar com abraços quando o corpo está em pedaços… falta-nos o contato com a pele das pessoas… não é o maior órgão do ser humano? Engraçado que certamente é o mais sensível e o que provoca as melhores sensações do mundo.

Hoje alguém disse-me: “é tão bom quando temos alguém que perde tempo para nos dar um abraço. Alguém que para e nos pergunta como estamos. As pessoas nem imaginam a diferença que isto faz no dia de uma pessoa, é tão simples e ninguém dá valor”.

E de me imediato percebi que sim é isto… o toque! A pessoas têm medo do toque, porque sim parece que estamos a entrar no mais intimo da pessoa… mas não é isso que se pretende? Não é isso que nos desprende dos sentimentos de solidão? Não é isto que nos faz sentir seguros?

"Se hoje fosse o teu ultimo dia de vida que faria?" 

Abraçava! Ficava horas e horas abraçada às pessoas. Porque é nos abraços que toda a energia dos corpos se renova, onde todas as questões deixam de o ser, onde todas as duvidas ficam silenciadas e onde todas as conversas passam a fazer sentido com a forma como nos deixamos cair nos braços de alguém.. porque permitimos que alguém nos segure, aconchegue e salve de todo o peso que o mundo nos obriga a segurar nos ombros.


Se hoje fosse o meu último dia de vida sabia o local para onde fugia. Sabia exatamente as palavras que queria ouvir. Sabia as palavras que iriam sair da minha boca. Sabia a companhia que queria ao meu lado. E o abraço que queria para me segurar. 

Depois disso se o medo viesse saberia que ao dizer: “Por favor abraça-me… segura-me!” o medo passaria, porque tudo ficaria bem! Independentemente de no final ficar a solidão de ir para outra dimensão, não estaria nunca sozinha, naquele abraço... jamais!

~~
Inspirou-me para isto: https://www.youtube.com/watch?v=yM_8XExkeEY

Sem comentários:

Enviar um comentário