“Imagina que hoje é o teu último dia de vida…”
Como se faz para
viver este dia? Que pensamentos devemos ter? Que atitudes deveremos ter? Que
sentimentos devemos deixar entrar dentro da nossa alma? Será que sentimos medo?
E se sim porque o sentimos?
Não sei ao certo se com o tempo os nossos medos aumentam ou
diminuem. Na verdade, uns aumentam e outros claramente diminuem.
Aumenta o medo de perder as pessoas, o medo de ficar
sozinho, o medo de não ser amado, valorizado. E aumenta o medo da dor. Não da física,
mas a dor consciente daquilo que não podemos tocar ou curar com remédios.
Diminui o medo de dizer o que pensamos! Este é o meu
preferido, devo confessar!! Este desaparece com o tempo, com a idade, com a
experiência, com a consciência de aquilo que não é dito pode ficar para sempre
perdido, no tempo ou num espaço onde voltar atrás poderá ser tarde demais. Sei
que disto, nunca tive muita dificuldade, mas com o tempo fui percebendo que
cada vez mais sei conscientemente que dizer aquilo que sinto acerca das
pessoas, me faz bem e por vezes mal, sim, quando o retorno é negativo ou
inexistente.
Porque agora, considero que todas as pessoas têm de ser tão
expressivas e específicas como eu, porque afinal o que custa? O que custa dizer
àquela pessoa: “Olha gosto de ti porque me fazes rir!”, “Gosto de te ver
assim.. o sorriso fica-te bem!” ou simplesmente “gosto de ti porque me fazes
bem!”.
Sempre que penso em medos remeto-me sempre, SEMPRE para
perdas. Não tenho medo da solidão, lido bem com isso, porque só a minha mente
ruidosa já me chega de conversa e companhia.
Mas as perdas… as perdas atormentam provavelmente a todas as
pessoas do mundo.
Porque solidão, mais que saber e confirmarmos que estamos
sós, é ter a certeza que nos faltam coisas simples… faltam os olhares, os
sorrisos, o toque… o toque! É isto que se perde e é isto que fica para
confirmar que a solidão das pessoas é falta de toque, falta de pessoas para dar
a mão, falta de pessoas para nos levantar das quedas que damos, falta de pessoas
para nos segurar com abraços quando o corpo está em pedaços… falta-nos o
contato com a pele das pessoas… não é o maior órgão do ser humano? Engraçado
que certamente é o mais sensível e o que provoca as melhores sensações do
mundo.
Hoje alguém disse-me: “é
tão bom quando temos alguém que perde tempo para nos dar um abraço. Alguém que para
e nos pergunta como estamos. As pessoas nem imaginam a diferença que isto faz
no dia de uma pessoa, é tão simples e ninguém dá valor”.
E de me imediato percebi que sim é isto… o toque! A pessoas
têm medo do toque, porque sim parece que estamos a entrar no mais intimo da
pessoa… mas não é isso que se pretende? Não é isso que nos desprende dos
sentimentos de solidão? Não é isto que nos faz sentir seguros?
"Se hoje fosse o teu ultimo dia de vida que faria?"
Abraçava!
Ficava horas e horas abraçada às pessoas. Porque é nos abraços que toda a
energia dos corpos se renova, onde todas as questões deixam de o ser, onde
todas as duvidas ficam silenciadas e onde todas as conversas passam a fazer
sentido com a forma como nos deixamos cair nos braços de alguém.. porque permitimos
que alguém nos segure, aconchegue e salve de todo o peso que o mundo nos obriga
a segurar nos ombros.
Se hoje fosse o meu último dia de vida sabia o local para
onde fugia. Sabia exatamente as palavras que queria ouvir. Sabia as palavras
que iriam sair da minha boca. Sabia a companhia que queria ao meu lado. E o
abraço que queria para me segurar.
Depois disso se o medo viesse saberia que ao
dizer: “Por favor abraça-me… segura-me!” o medo passaria, porque tudo ficaria
bem! Independentemente de no final ficar a solidão de ir para outra dimensão,
não estaria nunca sozinha, naquele abraço... jamais!
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Inspirou-me para isto: https://www.youtube.com/watch?v=yM_8XExkeEY
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Inspirou-me para isto: https://www.youtube.com/watch?v=yM_8XExkeEY
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